O Projecto

A Associação Aldeias de Magaio é uma entidade de coordenação de actividades de promoção cultural, ambiental, social e económica nas zonas serranas do Concelho de S. Pedro do Sul (aldeias do Maciço da Gralheira e do vale do Rio Paiva), cujos órgãos sociais são formados por membros das associações locais das várias aldeias integrantes (Aldeia, Candal, Póvoa das Leiras, Manhouce, Gamoal, Covas do Monte, Covas do Rio,  Fujaco, Bordosedo, Nodar, Sequeiros, Sete Fontes, Rompecilha e Macieira).

O nome Magaio foi escolhido por duas razões: Por um lado, O monte Magaio corresponde ao nome antigo para o monte de S. Macário, local que faz parte do imaginário colectivo de todas as aldeias em seu redor, pela anual romaria e festa que aí acontece no último domingo de Julho. Por outro lado, Magaio era um deus Celta, uma divindade naturalista que significava aquele que nutre, aquele que cria. Uma óptima e inspiradora metáfora para uma iniciativa que pretende ajudar a promover a sustentabilidade das aldeias serranas.

O território formado pelo conjunto de aldeias que se integram na Associação Aldeias do Magaio compartilha em grande parte muitos dos problemas que caracterizam o meio rural dos países do sul de Europa, despovoamento, falta de alternativas de trabalho, ameaça de desaparecimento do património material e imaterial, etc..

No entanto, possui uma série de componentes diferenciais que constituem o seu principal potencial a ter em conta na elaboração do projecto. Por um lado, persistem com grande força as actividades tradicionais ligadas à agricultura e à criação de gado de montanha, bem como a arquitectura tradicional, o que confere às aldeias no seu conjunto um carácter de autenticidade difícil de encontrar em outras zonas rurais.

Por outro lado, o território conseguiu manter o orgulho de pertença entre a sua população a qual é uma população muito menos envelhecida do habitual em outras zonas rurais.

Por último, a zona não foi quase objecto de intervenções destinadas à diversificação económica através do turismo unido ao património natural e cultural, o que proporciona um ponto de partida excepcional para realizar um projecto singular, baseado num modelo de desenvolvimento endógeno, inovador e sustentável. Um projecto que recolha os melhoramentos das experiências prévias e aprenda com os erros e problemas que se detectaram nas mesmas.

A Associação Aldeias de Magaio é fundamentalmente herdeira quer das actividades do Projecto Criar Raízes, quer da Binaural / Centro de Residências Artísticas de Nodar, as quais em conjunto formam o núcleo principal dos seus projectos e iniciativas, para além de outros eventos organizados em várias aldeias pelos associados. De referir que sendo uma entidade de coordenação e promoção de eventos, a associação não se pretende subsitutir ao espírito de iniciativa das várias aldeias integrantes, pelo que a responsabilidade última das actividades  continua a ser fundamentalmente das associações integrantes.

A ideia subjacente à “ Associação Aldeias de Magaio” é de que são as próprias populações das aldeias que melhor conhecem a sua paisagem, a sua história, a sua memória, as suas tradições, pelo que se elas conseguirem aliar esse conhecimento de base a um sentido de organização das actividades conseguirão projectar de forma mais activa as respectivas valências.

O desafio que se coloca hoje em dia a estas aldeias isoladas é o de serem parte activa de um modelo de desenvolvimento que considera a paisagem (natural e rural) e a cultura autóctone como património inestimável e dotado de valor económico passível de ser aproveitado e revertido a favor de quem desde há séculos cuida desse património, ou sejam as próprias comunidades rurais.

Resumindo, é pois urgente que as aldeias serranas de S. Pedro do Sul trabalhem em conjunto, com maior massa crítica e sentido estratégico (e não de forma casuística), aproveitando para tal as valências humanas das diferentes aldeias (tanto os  conhecedores do território e das tradições, como uma nova geração de habitantes com competências variadas e complementares).

Está a começar uma nova fase na vida das aldeias mais periféricas e isoladas do concelho de S. Pedro do Sul!