Pena

Se seguir em frente na estrada que vai de S. Macário para o Portal do Inferno, quase não dará por ela, no entanto, lá no fundo do vale, reside uma aldeia, abrigada dos ventos e das tempestades, e também por isso, rendida às poucas horas de sol de que dispõe, que, como alguém disse, “é uma jóia perdida na serra”.

Uma placa em xisto, como de resto praticamente toda a aldeia é formada, vai marcando compassadamente a existência na aldeia, ou dito de outra forma, o número actual de residentes. Estes, ao contrário da aldeia que foi submetida a um programa de reconstrução e preservação no âmbito das Aldeias de Portugal, não podem voltar atrás nos anos, no entanto se meter conversa com um dos poucos que ali ainda permanecem, verá como através de histórias e lendas, como a do morto que matou o vivo, da cabra que matou o lobo, ou da serpente em Cova da Serpe, a Pena vive. Além disso, viu nascer, recentemente, uma criança, feito digno e assinalável na corrente que se instalou.

Mas se a descida até à aldeia impressiona, o caminho para Covas do Rio, feito a pé, e único a existir até um passado não muito longínquo, é simplesmente de cortar a respiração. Estreitinho, ladeado de vegetação, abençoado pelo frondoso ribeiro e pelas paredes que compõem esta “catedral” natural, leva-nos, paulatinamente até ao destino, não sem antes passar pela Ponte dos Mouros, encavalitada entre escarpas.

Curiosamente, foi um vilão do séc. XII, D. Beloi, que deu grande impulso ao povoamento de toda esta extensa região ao abrigo de certos privilégios reais. Talvez assim se compreenda porque alguém escolheu esta terra no fim do mundo para viver… ou será isto apenas o princípio?!?

A Pena possui uma Adega Regional que serve diversos pratos e um delicioso licor com mel (para quem gosta), bem como uma loja de artesanato.

Coordenada Geográfica:

40° 52′ 49.40″ N, 8° 4′ 44.76″ W

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