Manhouce
Segundo Pinho Leal, no Portugal Antigo e Moderno, nesta aldeia houve uma albergaria para passageiros pobres, fundada por D. Mafalda, a mulher de D. Afonso Henriques, portanto anteriormente á de Albergaria da Serra.
Nos dias de hoje, o tipicismo de muitas casas antigas ainda está presente nesta aldeia, mas com o decorrer do tempo, já se vêem construções mais modernas, felizmente sem grandes ousadias arquitectónicas.
Nos campos, vê-se mais milho do que centeio. Mas a sede da freguesia está ainda muito conservada; e o lugar de Sequeiros tem, a nascente da estrada, um conjunto de edificações interessante.
Os populacionais de Manhouce são muito dispersos, sendo esta a freguesia serrana com mais lugares: da sede para sul, temos sequeiros e a Sernadinha, na estrada principal; para norte, Gestoso, Gestosinho e Bondança, mais ou menos próximos da mesma estrada; Salgueiro, na estrada para Cabreiros;
Lajeal, Muro, Malfeitoso e Vilarinho, a subir a serra, ao longo da parte superior do vale do Rio Teixeira; Campo, Rocha, Vendas, Bouça, Adega e Carregal, para poente, a caminho da Lomba; Castanheiro, Areeiro e Juncal, também serra acima, mas mais para sueste; muito isolada na serra, mais a sul, Valongo; longe de tudo, já a começar a descer para outro lado da serra, Bostarenga e as três Antas; Anta de Cima, Anta de Baixo e Anta Cova. Isto, para não falar em diversos lugares só com uma casa, como acontece nas Louseiras.
Existiram na sua área diversas minas de volfrâmio, das quais ainda hoje podem ser-se os restos das minas de chãs.
A actual Manhouce era atravessada pela estrada romana, que passava aí em duas pontes, sobre o Rio Teixeira e um pequeno ribeiro, ainda existem, encontrando-se a do ribeiro em pleno uso. Dessa estrada romana, podem ver-se cinco troços bem conservados.
A igreja matriz de Manhouce, um belo templo insusceptível de datação por ser fruto de sucessivos arranjos, serviu de «hospital de sangue» durante a 3ª invasão Francesa.
A freguesia de Manhouce é atravessada pelo Rio Teixeira, com espaços de grande beleza, geralmente de difícil acesso; entre eles, sobressai o chamado Poço Negro, infelizmente muito atingido pela construção duma mini – hídrica, principalmente nas suas margens. É também de grande beleza o Poço da Silha, que se encontra por baixo da ponte na estrada principal.
Foram contabilizados em Manhouce 89 moinhos. Perto da entrada para Gestosinho, há um grupo de quatro moinhos bem conservados e que, com o ribeiro cuja água os alimenta, constitui um quadro tão belo quanto raro.
Na entrada para Arouca, um pouco acima da que serve a Bondança, pode ver-se, mesmo junto á estrada, uma pequena construção que à primeira vista é igual a tantas outras, mas que encerra a curiosidade de ser um moinho para cereal e um pisão de linho, ambos abandonados.
Em 1997/98, foram laboriosa e cuidadosamente reconhecidos diversos teares que puderam encontrar-se na freguesia e foi organizado com eles um curso de tecelagem. Os teares estão hoje num pequeno pavilhão devidamente sinalizados, na entrada norte da freguesia.
Nesta freguesia também existem duas antas ou mamoas já classificadas, na sequência dum incêndio, foram descobertos os restos de mais vinte, como refiro no local próprio.
Abundam em Manhouce as alminhas, sendo muito interessante a que se pode ver com alguma dificuldade na periferia da povoação da Bondança, numa eira.
Ainda se usam muito em Manhouce os carros de vacas, as quais são atreladas ao carro com um jugo que se apoia em almofadas de couro e crina destinadas a poupar a acção traumatizante do jugo sobre o cachaço dos animais e são mais pequenas que as utilizadas na região. Infelizmente as típicas rodas de madeira recobertas com um aro de ferro foram postas de lado, em favor de rodas totalmente de ferro, dizem não serem tão eficazes sobre a pedra, em terreno mais inclinado.
Manhouce, dispõe hoje de duas casas de turismo rural: Uma é reconstrução primorosa dum conjunto casa – palheiros – currais, mesmo no centro da freguesia; a outra é a adaptação inteligente e dispendiosa, de uma quinta isolada da povoação, nas proximidades da estrada para o Carregal. E há também a antiga casa de guarda-florestal da Alagoa, remodelada e adaptada recentemente.
Ainda de Manhouce, também existe um Grupo de Cantares bem como a sua solista, D. Isabel Silvestre, também existe um outro Grupo de Cantares, o Grupo da Casas de Manhouce, dedicado á recolha de cantos populares, assim como de danças.
[in “ O Maciço da Gralheira” de Mário de Magalhães Araújo Ribeiro, Edição da Câmara Municipal de Arouca]
Coordenada Geográfica:
40° 49′ 31.68″ N, 8° 12′ 48.02″ W
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