Os mercados ou feiras fazem parte do código genético das aldeias serranas do maciço da Gralheira. Ao longo de séculos, num contexto económico de subsistência, os mercados constituíam a oportunidade para os agricultores serranos venderem parte da sua produção agrícola ou pecuária, estabelecerem contactos comerciais, reverem velhas amizades de outras aldeias e conviverem ao som de música que rompia espontaneamente, bastando uma concertina, um violino ou par de vozes mais ou menos afinadas para uma tarde animada.
Nos últimos anos e não obstante a serra continuar a ter produção agrícola, os mercados de aldeias foram paulatinamente desaparecendo, o que talvez possa ser explicado pelo carácter de auto-subsistência dessa agricultura e pelo facto de hoje (parecer) não haver necessidade de escoar essa produção, já que a maioria das famílias detém outras fontes de rendimento para além da agricultura.
Julgamos ser tempo de os mercados voltarem à serra. Nesse sentido surgirá a partir de Maio de 2010 o Mercado das Aldeias: uma vez por mês, da Primavera ao Outono, uma aldeia diferente do maciço da Gralheira acolherá um mercado onde os produtores serranos terão oportunidade de vender os seus produtos agrícolas, enchidos, doçaria tradicional, artesanato, etc., em simultâneo com um conjunto de actividades paralelas como música tradicional ao vivo, oficinas de saberes tradicionais, provas gastronómicas, passeios pedestres e actividades para os mais jovens.
O Mercado das Aldeias constituirá um ponto de encontro regular entre as populações das várias aldeias da serra (muitas das quais não se conhecem ou não se vêem há muitos anos) e um pólo de atracção turística adicional, diversificando cada vez mais a oferta de eventos nas aldeias e dando oportunidade a cada uma delas de mostrar a quem vem de fora o melhor de si, dos seus produtos e da sua hospitalidade, talvez simples mas definitivamente autêntica.

